
Não me quero em conceitos prolixos e confortáveis, eles aveludam o poder de iludir-se nas cirandas da vida, aliás o que são os conceitos senão mentiras bem contadas do nosso ego para a sociedade.
São todos estes aglomerados de fáceis verdades que formam a nossa grande mórula do real, ou do que era para ser nosso tato físico, são eles que determinam o que é para estar no lugar que ocupa ou que estão no lugar em que não deveriam ocupam.
Nesse último caso é o nicho pequeno e quase que protista que residem os sinestésicos, os loucos, os poetas, os artistas e os esotéricos. São todos pequenas fábricas de concepções e visões aquém do trato comum da vida celular, estão todos fora de um padrão metabólico, são vírus em corpo maior, são partículas estranhas e desconhecidas e por isso, fatais.
O todo reconhece a falha do mínimo viral, porém desconhece de sua própria doença, a patologia mãe de uma espécie em desordem: a sua própria sociedade.
Assim extirpa-se a vida ali, e o silêncio é perpétuo ao tempo que se faz necessário um novo sistema, onde os “vírus” passam a ser macro-células de concepções e realidades.
Todo este movimento apocalíptico cria forças para girar a engrenagem do tempo, matando então o que entendíamos como a idade contemporânea da humanidade.
Para onde vamos? Esta resposta ainda paira na dúvida do depois. Por enquanto só guarde a certeza do infalível e catastrófico: a criativa mutagênese dos vírus.
Faz-se mais um capítulo da história.
